Envelhecer com propósito retarda limitações físicas e declínio cognitivo

Todas as manhãs, Olga Quiroga, de 80 anos, se levanta às 5 horas para sair do Jardim São Savério, na região sudeste de São Paulo, e ir ao Largo São

Sociedades se beneficiam da longevidade quando enxergam idosos como capital humano experiente, dizem especialistas

Todas as manhãs, Olga Quiroga, de 80 anos, se levanta às 5 horas para sair do Jardim São Savério, na região sudeste de São Paulo, e ir ao Largo São Francisco, no centro. Quando chega ao edifício, cumprimenta o porteiro que gira a manivela do antigo elevador para levá-la ao quarto andar. É ali, na sala número oito, que funciona o pequeno escritório da pedagoga aposentada. Dezenas de pastas e folhas de papel almaço escritas à mão tentam catalogar os cerca de 600 idosos que esperam por uma vaga em residências compartilhadas. Há três décadas, desde que deixou o mercado de trabalho, Olga se dedica ao movimento por moradias.

A chilena radicada no Brasil não sabe, mas segue à risca orientações de estudos recentes sobre longevidade. Envelhecer com propósitos e se manter ativo, com uma rede sólida de relacionamentos, adia a deficiência física e o declínio cognitivo, além de diminuir as chances de desenvolver depressão. Os benefícios podem, ainda, se tornar coletivos. “Sociedades que enxergam a população idosa como capital humano experiente, e não um fardo, conseguem redirecionar esses indivíduos para posições em que eles se mantêm produtivos”, diz Paul Irving, presidente do Milken Institute, organização americana de estudos econômicos e de saúde.

A ideia popular que relaciona sabedoria à passagem do tempo tem fundamento científico. Com o envelhecimento, o cérebro humano aumenta sua capacidade de solucionar problemas e atinge maior estabilidade emocional. Para a professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP Ruth Lopes, ignorar essas habilidades é um desperdício material. “O corpo perde agilidade, mas há otimização do raciocínio. “É uma estupidez Essa potencialidade não encontrar locais de expressão é uma estupidez, ainda mais se pensarmos num país com tantas carências, como o nosso.”

Uma opção eficaz, defende a professora, é aproximar a experiência grisalha da sociedade civil organizada e da vida pública. Assim, o idoso é visto como sujeito, uma peça que permanece útil para a comunidade. “Ele pode assessorar ou prestar serviços públicos, por exemplo. Em muitos casos, a pessoa mais velha tem tempo e está disposta a isso.”

É o caso de Olga. A presidente do Grupo de Articulação para a Moradia do Idoso na Capital (Garmic) gosta de “incomodar” figuras da Câmara Municipal, pedindo mais tempo de fala nas reuniões da comissão permanente do idoso. “Eles são em sete, nunca estão todos, mas quando vêm, ficam trocando figurinhas entre si, e discursam por 40 minutos e depois nos dão três minutos”, disse. Ela conta que recebeu proposta de emprego no gabinete de um dos vereadores, mas entendeu como uma provocação, e preferiu seguir seu trabalho voluntário.

Fonte: https://infograficos.estadao.com.br

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