Pesquisa revela a importância da atividade física para idosos

Em uma das pesquisas mais amplas sobre o tema já realizadas em todo o mundo e publicada no periódico científico European Journal, pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, jogaram luz sobre a importância da atividade física para prevenir doenças cardíacas entre pessoas com mais de 60 anos.

 

Analisando 1,1 milhões milhão de idosos, descobriram que os que reduziram a intensidade da prática de exercício à medida que envelheciam tinham um risco 27% maior de desenvolver problemas cardiovasculares. Por outro lado, os que aumentaram seus níveis de atividade física conseguiram reduzir esse risco em até 11%.

 

Além de manter ou intensificar a frequência de exercícios para prevenir doenças cardiovasculares, Kyuwoong Kim, coordenador do estudo, sugere que, do ponto de vista clínico, os médicos prescrevam a atividade física junto com outros tratamentos recomendados para pessoas com alto risco de doença cardiovascular.

 

Juliana Soares, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, corrobora: “As terapias tanto preventivas quanto de tratamento de doenças cardiovasculares contemplam exercícios físicos, mesmo com o uso de medicações”.

 

E ressalta a importância da atividade física. “As que contemplem cerca de 150 minutos semanais são extremamente benéficas. Desta forma, aumentar a frequência e/ou duração dos treinos, com adequada orientação, é o ideal”, sugere.

 

Recomendações da OMS

 

A Organização Mundial de Saúde traçou algumas diretrizes para orientar programas de promoção à atividade física por faixa etária.

 

A partir dos 65 anos, ela recomenda:

atividades de lazer (como caminhadas, dança, jardinagem e natação)

locomoção (a pé ou pedalando)

ocupacionais (se a pessoa estiver trabalhando)

tarefas domésticas

jogos, esportes e exercícios, de preferência na companhia de amigos, grupos ou família

 

“A atividade física traz uma série de benefícios, como o incremento da capacidade física e mental, contribuindo para manutenção da força muscular, da função cognitiva, da redução da depressão e de eventos cardiovasculares, além de contribuir para a interação social”, observa a cardiologista.

 

Assim, reforça, “ela deve contemplar exercícios aeróbicos e de flexibilidade, equilíbrio e força muscular”. A OMS sugere 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de alta intensidade, sendo possível combinar os dois tipos para atingir essa meta mínima.

 

Segundo a cardiologista, a frequência cardíaca é um parâmetro da intensidade cardiovascular da atividade física: “No entanto, é fundamental atentar-se para a sensação de cansaço e tolerância à atividade, que deve ser individualizada”.

 

Da mesma forma que os adultos mais jovens, a OMS indica exercícios de fortalecimento dos músculos, envolvendo os grandes grupos musculares, praticados em dois ou mais dias da semana.

 

Para os idosos que estiverem em boa condição física, sugere aumentar o tempo dedicado para 300 minutos por semana, no caso de atividades de intensidade moderada, ou 150 minutos, no de alta intensidade. Mas a cardiologista adverte: “É fundamental, nestes casos, supervisão médica”.

 

A importância da atividade física dos idosos na quarentena

 

Em tempos de pandemia e isolamento social, Carla Gutschov, fisioterapeuta especialista em gerontologia e reabilitação pós-Covid, sugere que idosos que já estavam realizando exercícios físicos continuem em programas on-line.

 

“Para os que estavam totalmente sedentários, o aconselhável é caminhar dentro de casa, movimentar pernas e braços, mas nada muito intenso e nem brusco.” Isso porque há maior risco de quedas.

 

Ela lembra que ter uma rotina é fundamental para manter-se ativo: “Arrumar a cama, tomar banho, lavar louça e fazer atividades simples do dia a dia, que mantêm o corpo e a cabeça sempre em movimento”.

 

Entre os principais benefícios da atividade física para idosos, estão:

 

Redução dos índices gerais de mortalidade, principalmente nos casos decorrentes de doenças cardíacas, pressão alta, derrame, diabetes tipo 2, câncer de cólon e mama;

 

Fortalecimento do desempenho cardiorrespiratório

Manutenção da massa muscular

Incremento na constituição óssea

Redução do risco de quedas

Melhora geral na saúde funcional

Progresso nas funções cognitivas

Mais qualidade de vida

 

Fonte: Instituto de Longevidade.