Dicas & Notícias

Oficina vai ensinar como cuidar bem da pele depois dos 60 anos

Com o passar dos anos, a pele muda e perde nutrientes. É o processo natural de envelhecimento. Por isso, o cuidado com a pele é tão importante para a saúde, bem-estar e autoestima.  Mas, quais são esses cuidados? É isso o que será mostrado na oficina “Cuidados com a pele aos 60 anos”, que vai ser realizada pela Unimed João Pessoa, no dia 12 de agosto, das 8h às 12h, no Viver Melhor, local onde são promovidas ações de saúde e qualidade de vida para os clientes. A atividade faz parte da programação do Grupo 60 + Feliz, uma iniciativa do Setor de Promoção da Saúde da Cooperativa.

A oficina abordará alguns cuidados necessários para uma pele saudável e oferecerá aos participantes uma orientação prática de limpeza facial. As inscrições estão abertas. Para participar é muito fácil, basta ser cliente da Unimed JP e ter 60 anos ou mais.

CONFIRA DICAS

Enquanto o dia da oficina não chega, confira algumas dicas de como cuidar da pele:

Evite tomar banho com água quente – Ficar muito tempo no chuveiro quente piora o ressecamento da pele do idoso. O ideal é que a água esteja no máximo morna;

Use Hidratante – Usar hidratante fará bem para a ele, especialmente após o banho;

Beba água – Na terceira idade, é normal sentir menos sede, mas é importante tomar água mesmo sem sentir sede. A dica é tomar pelo menos dois litros por dia;

Use filtro solar – Usar filtro solar é muito importante, mas o uso de bonés, viseiras e óculos de sol também é indicado.

Fonte: https://www.polemicaparaiba.com.br

Por que o câncer da pele é tão comum no Brasil?

O câncer da pele é o mais incidente em várias partes do globo, e no Brasil alguns fatores tornam esse tumor muito frequente.

câncer da pele não melanoma é um dos mais incidentes na população e a cada ano quase 200 mil brasileiros são diagnosticados com a doença.

Em um país tropical como o Brasil, com alta incidência solar durante todo ano, ele é ainda mais frequente. Histórico familiar, características da pele (pele clara é mais propensa a desenvolver o câncer) e excesso de exposição solar são fatores de risco para a doença.

No caso dos brasileiros, o problema se torna mais grave porque grande parte da população ainda não tem o hábito de passar filtro solar antes de se expor ao sol, somente quando vai à praia ou piscina.

Das 10 horas da manhã até às 16 horas, há prevalência dos raios ultravioleta do tipo B. Embora o comprimento de onda desses raios não seja tão longo quanto o do tipo A, eles são mais cancerígenos, provocam manchas e envelhecimento precoce da pele. Por isso a importância de criar o hábito de adotar medidas de proteção que vão além do uso do protetor solar como: óculos escuros, bonés de aba grande para proteger a face ou então a utilização de guarda-chuva. Há disponível no mercado, inclusive, maquiagens ou creme dermatológicos para o rosto com fator de proteção. Só é importante não esquecer de reaplicar ao longo do dia.

Lembre que os danos causados pelo sol são cumulativos. Com o passar da idade, quanto mais frequente e duradoura tiver sido a exposição, maior a possibilidade de ocorrerem manchas e tumores malignos.

Isso não quer dizer, no entanto, que você está proibido de tomar sol, mas é importante ter prudência. A pessoa pode identificar seu limite observando o eritema da própria pele, ou seja, o vermelhidão que se forma após a exposição ao sol, que arde e incomoda à noite.

Na hora de comprar protetor solar, não se esqueça que o FPS está ligado à proteção contra os raios UVB (responsáveis pelas queimaduras do sol e câncer da pele). Porém, a proteção contra os raios UVA (responsáveis pelo envelhecimento da pele, manchas e aumento do risco de câncer da pele) é um terço do FPS rotulado. Logo, quanto maior o FPS do produto, maior também a proteção contra os raios UVA. Portanto, é indicado o uso de protetor solar com FPS mínimo de 30.

“Muita gente tem dúvida sobre a quantidade correta. Recomendamos que o indivíduo passe o equivalente a uma colher de sopa cheia em todo corpo, reaplicando a cada duas horas ou depois que entrar em contato com água”, explica o dr. Joaquim Mesquita, coordenador nacional da Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Para não haver dúvida, uma lesão indicativa de câncer tem algumas características marcantes como:

  • Aparência elevada e brilhante, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida e que sangra facilmente;
  • Pinta preta ou castanha que muda de cor e textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho;
  • Mancha ou ferida que não cicatriza e continua a crescer, apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

“As áreas mais suscetíveis são as que recebem mais exposição solar, como face, braços, couro cabeludo, para quem tem pouco cabelo, orelhas, que são muito esquecidas, e até os lábios. Por isso é importante sempre fazer o autoexame, ver se não há nenhuma lesão pré-existente. Se surgir uma lesão que não cicatriza em 10, 15 dias, é importante buscar ajuda médica.”

CAMPANHA

Com a chegada do dezembro laranja, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) dá continuidade à campanha “Se exponha mas não se queime”, com ações e atividades de informação na internet, ruas, praias e parques. As recomendações básicas da SBD incluem a adoção de medidas fotoprotetoras, como evitar os horários de maior incidência solar (das 10h às 16h); utilizar chapéus de abas largas, óculos para sol com proteção UV e roupas que cubram boa parte do corpo; procurar locais de sombra, bem como manter uma boa hidratação corporal.

Além disso, haverá atendimento gratuito ao público no dia 1 de dezembro, em que cerca de 4 mil dermatologistas e voluntários prestarão atendimento e esclarecimento quanto à importância de adotar medidas preventivas. As consultas serão realizadas em 132 postos de atendimento em diversos estados.

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br

Cuidados com a saúde podem fazer a diferença entre avós e netos

Dia 26 de julho foi a data escolhida para homenagear, no Brasil e em Portugal, aqueles que têm um dos papeis mais importantes na família: os avós. No meio familiar, os avós são figuras de sabedoria e diversão, fontes de grandes histórias que fazem toda a diferença no desenvolvimento das crianças. A saúde e longevidade deles são fundamentais para que possam acompanhar o crescimento de seus netos.

Com o passar do tempo alguns problemas de saúde podem surgir e mesmo com a idade mais avançada, muitos deles podem não ser normais e devem ser investigados o quanto antes.

Ao contrário do que muitos pensam, queixas de cansaço e dificuldade para realizar atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, podem não ser normais, nem mesmo na terceira idade. Um exemplo é a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), que tem como principais sintomas a falta de ar e tosse seca, que são facilmente atribuídos aos sinais de envelhecimento ou outras doenças.

Segundo o Dr. Marcelo Palmeira, Pneumologista e Professor da Universidade de Brasília (UNB), ‘a percepção errônea de que o envelhecimento é necessariamente acompanhado por tosse seca, cansaço e um estilo de vida limitado dificulta o diagnóstico de doenças pulmonares crônicas, principalmente as raras como a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), uma doença progressiva, sem cura e como o próprio nome diz, de origem desconhecida (idiopática)’.

A FPI provoca cicatrizes nos pulmões, prejudicando a capacidade respiratória do paciente. Os sintomas apresentados pelos portadores dessa doença são facilmente confundidos com os de doenças cardíacas, por exemplo, o que torna o diagnóstico muito complexo e delicado, podendo levar mais de um ano para ser feito adequadamente.

O paciente que apresenta os sintomas da doença deve procurar um especialista, realizar os exames necessários e ter o diagnóstico correto, o quanto antes, para dar início ao tratamento medicamentoso.

O Dr. Marcelo explica ‘após o diagnóstico, o pneumologista é o principal responsável pelo tratamento dos pacientes. É importante também uma avaliação e acompanhamento com outros profissionais caso seja necessário, já que outras doenças como refluxo gastresofágico, hipertensão pulmonar e até depressão podem ser desenvolvidas com o tempo’.

Para um menor impacto da doença na rotina dos pacientes, o tratamento com o medicamento nintedanibe, se realizado de acordo com a prescrição médica, pode reduzir a progressão da doença em até 50%iii.

Para que os avós possam aproveitar momentos em família com saúde e tenham um envelhecimento mais ativo, é importante considerar algumas dicas dadas pelo Dr. Marcelo, como, evitar o cigarro, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, e incluir a visita ao pneumologista no check-up anual. ‘Tão importante quanto todos os cuidados e prevenção, o suporte emocional pela família é essencial, uma vez que de 30% a 50% dos pacientes apresentam sintomas de ansiedade e depressão, respectivamente’.

‘Mostrar-se presente na vida de um paciente pode ajudá-lo a conviver melhor com a doença’ finaliza o Dr. Marcelo.

Fonte: https://terceiraidadeconectada.com

Calvície Feminina – O que fazer?

Durante toda a vida, as mulheres sofrem com as quedas de cabelos.

Quem nunca se deparou com a escova de cabelos e o ralo do chuveiro cheio de fios?

É desesperador…

O uso de químicas, tratamentos capilares, excesso de mudanças de visual, e até mesmo algumas doenças podem potencializar este problema, como a anemia, queda de resistência por deficiência de vitaminas e dietas, por exemplo.

Além disso, em alguns casos, existe uma predisposição hereditária para a doença, que não tem cura e que se caracteriza pela perda ainda maior que ocorre de forma gradativa dos cabelos.

Com o passar do tempo, os fios vão ficando mais ralos, até que param de nascer.

A calvície afeta prioritariamente os homens, e apenas 5% das mulheres, porém causa muitos transtornos até psicológicos, diminuindo a auto estima e afetando a qualidade de vida.

A alopecia tem tratamento, se diagnosticada a tempo, e alguns cuidados que podem ajudar, porém é preciso estar ciente que ao identificar o problema e iniciar o tratamento a pessoa precisa se comprometer a fazê-lo para o resto da vida… Será preciso regras e disciplina, mas na maioria dos casos a interrupção da queda acontece.

Caso a queda já tenha ocorrido massivamente, existem alguns paliativos que podem ajudar na volta da auto estima, e recuperação da aparência, como a micro pigmentação do couro cabeludo, ou até o implante de fios.

Alguns tipos de alopecia:

  • Alopecia areata – Perda brusca de cabelos, apenas no toque. Tufos de cabelos saem nas mãos apenas ao mexer neles.
  • Alopecia fibrosante frontal – Perda progressiva dos fios na linha anterior do cabelo. Mais comum após a menopausa, dá a impressão que a testa, do cresceu do nada.
  • Eflúvio – Quebra do ciclo da vida capilar, caracteriza-se por aquele bolo de fios de cai no chuveiro e fica na escova. O mais comum e tratável dos casos.
  • Alopecia Androgenética – Por fator hereditário, a queda dos fios acontece de forma gradativa e silenciosa, e pode durar anos, mas um vez que caem e parem de nascer. Torna-se irreversível, caso não seja notada a tempo.

Por isso, é preciso ficar atenta aos sintomas, no caso das mulheres, principalmente durante a menopausa.

Se perceber que os cabelos estão caindo mais do que o normal, se sentir dor ou coceira no couro cabeludo (alguns tipos de alopecia como a frontal, apresentam esses sintomas), se perceber seus cabelos mais finos e fracos, aumento da oleosidade do couro cabeludo, ou até mesmo, se do nada, perceber uma falha no couro cabeludo, procure imediatamente um dermatologista. Quanto antes o diagnostico, mais chances de conseguir reverter e interromper a queda dos fios através de medicamentos.

Portanto, atenção, e cuidado com os cabelos. Sempre!

Fonte: https://terceiraidadeconectada.com

A depressão e os músculos | Artigo

Reações bioquímicas que ocorrem no cérebro e que geram bem-estar após exercícios físicos são objeto de estudo recente.

Que a prática de exercícios está associada à sensação de bem-estar, todos reconhecem. Nem por isso, nós nos sentimos motivados a incorporá-los à vida cotidiana, prática que exige esforço e disciplina.

Depois de caminhar, correr, nadar ou pedalar, entramos num estado de paz e tranquilidade mental, quase inacessível nos dias sedentários. Com os músculos exaustos, ficamos mais relaxados, otimistas e autoconfiantes.

Embora essas sensações sejam conhecidas por qualquer pessoa que se disponha a caminhar alguns quilômetros, o mecanismo pelo qual a atividade física exerce influência sobre o cérebro, a ponto de alterar o humor e o estado de espírito, é mal conhecido.

Um estudo recente publicado na revista Cell, por L. Agudelo e colaboradores do Instituto Karolinska, sugere que um metabólito do aminoácido triptofano (essencial para a produção de vitamina B3) esteja envolvido nesse mecanismo. Esse metabólito é a quinurenina.

A quinurenina e seus metabólitos (compostos resultantes de sua decomposição) participam de funções biológicas essenciais à sobrevivência, como a dilatação dos vasos sanguíneos durante os processos inflamatórios e a organização da resposta imunológica.

Sabemos, há algum tempo, que o aumento da produção de quinurenina pode precipitar sintomas depressivos. Seus metabólitos estão associados a deficiências cognitivas, encefalopatias, esclerose múltipla, aos tiques, ao metabolismo das gorduras, à demência pelo HIV e outros distúrbios psiquiátricos.

O cortisol e outros hormônios liberados durante o estresse e certos mediadores, que participam dos processos inflamatórios, ativam enzimas responsáveis pela síntese de quinurenina, aumentando sua produção, seus níveis na corrente sanguínea e a presença no cérebro.

Ao entrar no cérebro, a quinurenina é convertida em metabólitos que promovem estresse celular e interferem com o comportamento.

Quando o estresse é acompanhado por exercícios físicos, as sucessivas contrações da musculatura promovem uma cascata de reações bioquímicas que levam ao aumento da produção de determinadas enzimas (KATs), que se encarregam de transformar quinurenina em ácido quinurênico.

Ao contrário do composto que lhe deu origem, o ácido quinurênico é incapaz de penetrar a barreira que separa o sangue periférico do líquor, o líquido que banha o sistema nervoso central. Dessa forma, o cérebro fica menos exposto aos efeitos depressivos da quinurenina, portanto mais resistente ao estresse.

Por essas razões, a atividade física deve ser incorporada às estratégias de prevenção e tratamento dos distúrbios relacionados com o estresse, como é o caso das depressões.

O conhecimento desses mecanismos abre a possibilidade de desenvolver drogas que interfiram com os mediadores produzidos durante as contrações musculares, capazes de reduzir a quantidade de quinurenina na circulação sanguínea.

Colher os benefícios da atividade física tomando comprimidos, sem sair da poltrona, é o sonho de todo sedentário.

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br

Riscos de infarto e AVC aumentam 30% no inverno

O inverno aumenta em 30% o risco de infarto e AVC. Isso acontece porque o organismo faz de tudo para manter o calor interno do corpo. Assim, quando as terminações nervosas da pele se ressentem com o frio, o nosso metabolismo se prepara para evitar a perda de calor para proteger o funcionamento de órgãos vitais internos. Isso faz com que as paredes dos vasos sanguíneos que irrigam a pele se contraiam e o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue.

“Idosos, hipertensos, diabéticos, obesos, fumantes e sedentários precisam redobrar os cuidados no inverno”, alerta o cardiologista e consultor do Bem Estar Roberto Kalil. E mesmo quem não pertence a esses grupos deve evitar a exposição prolongada ao frio intenso e o choque térmico causado pelas quedas bruscas de temperatura.

Entre os cuidados nesta época do ano estão: alimentação mais saudável, beber muito líquido, praticar exercício físico, acompanhamento médico e evitar exposição prolongada a ambientes com ar condicionado quente ou frio.

Fonte: https://g1.globo.com

Fibromialgia não é coisa da sua imaginação

Sintomas da doença não são detectáveis por exames comuns e provocam descrença de familiares e amigos, mas a dor da fibromialgia é muito real.

Durante décadas, pacientes com fibromialgia visitaram consultórios de diferentes especialidades procurando alívio para suas dores. Questionados sobre o local da dor, era comum a resposta “pergunte-me onde não dói”. Os exames, entretanto, não revelavam nada: nenhuma lesão muscular, nenhuma inflamação. O paciente peregrinava de clínicos para reumatologistas até, enfim, chegar a um psicólogo, às vezes convencido de que a dor só existia na sua imaginação.

Como as dores geralmente são musculares ou localizam-se nas articulações, durante muito tempo cabia aos reumatologistas investigá-las. Porém, estudos apontam que esta seria uma doença da área dos neurologistas. O cérebro de quem tem fibromialgia processaria a dor de maneira exagerada. Estima-se que uma pressão de até quatro quilos não provoque dor na maioria das pessoas, mas bem menos que isso já é suficiente para disparar dor intensa em quem tem a doença.

“Desde a década de 1980 já havia estudos mostrando que pacientes com fibromialgia tinham neurotransmissores de dor, como a substância P (de “pain, “dor” em inglês), em maior quantidade. Dos anos 2000 para cá, com o avanço da neurociência, passou a ser possível mostrar em exames essa diferença”, explica o dr. Eduardo dos Santos Paiva, presidente da Comissão de Dor, Fibromialgia e outras Síndromes de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Cérebro de paciente com fibromialgia à direita apresenta maior reação à dor.

Cérebro de paciente com fibromialgia (à direita) apresenta maior reação à dor.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

É possível detectar a reação exagerada do cérebro a estímulos por meio de uma Ressonância Magnética Funcional, mas esse é um exame extremamente caro e trabalhoso e exige profissionais especializados e experientes para ser realizado, o que faz com que não seja aplicado rotineiramente e fique praticamente restrito ao uso em estudos. Geralmente, a investigação conta muito com o relato do próprio paciente e com exames para descartar doenças que possam ter sintomas similares, como espondilites, polimialgia reumática, hipotireoidismo e mieloma múltiplo, um tipo de câncer que acomete mais pessoas acima dos 65 anos.

Em geral, o primeiro indício de fibromialgia é uma dor localizada que persiste e, com o tempo, evolui e se alastra para tornar-se difusa, assemelhando-se à dor que toma o corpo todo após uma gripe forte. Normalmente a dor surge sem motivo, mas às vezes pode ser desengatilhada por traumas psicológicos, físicos, como uma lesão provocada por um acidente de carro, ou infecções.

Até os anos 1990, usava-se um mapa elaborado por 20 reumatologistas para testar a sensibilidade do paciente. Os 18 pontos distribuídos pelo corpo eram os mais citados por pacientes como locais doloridos. São simétricos bilateralmente, e a maioria se concentra acima da cintura. Alguns deles, em especial na nuca, nas escápulas e na parte externa dos cotovelos, ao serem pressionados provocavam gritos de dor.

pontos fibromialgia

Os 18 pontos de dor mais frequentes na fibromialgia.

Ainda assim, a dor da fibromialgia é diferente das dores agudas, como as causadas por um corte ou uma porta que se fecha violentamente sobre um dedo. A dor aguda gera uma reação fisiológica, a pessoa sua, berra. Já à dor crônica a pessoa vai se adaptando e passa a conviver com ela no dia a dia. Um paciente fibromiálgico que queira esconder sua condição consegue falar normalmente, sem demonstrar que está sofrendo. Quando está habituado à dor, então, vive seu cotidiano aparentemente sem sentir nenhum desconforto, o que motiva a descrença por parte de quem convive com ele.

Entende-se que, para haver fibromialgia, é necessário haver dor em todo o corpo por mais de três meses, na maioria dos dias ao longo desse período. “Os pontos de dor foram muito usados durante os anos 1990. Hoje em dia, eles ainda ajudam, mas não são definidores do diagnóstico. É necessário haver um conjunto de outros sintomas que englobam cansaço extremo, alteração do sono, da concentração e problemas de memória”, afirma o dr. Eduardo.

Entre esses sintomas, é marcante o papel da fadiga para caracterização da doença. Faz parte do processo de diagnóstico um questionário que visa a avaliar o impacto do cansaço na rotina do paciente. Ele tem de classificar de 0 a 10 o nível de dificuldade que enfrentou para realizar determinadas tarefas. E pelo grau de exigência das tarefas, podemos ter uma ideia do quão intensa pode ser a falta de energia. Afinal, como é possível se cansar penteando os cabelos?

“É um cansaço diferente, não é uma simples preguiça. Você acorda totalmente esgotada, sem vontade nenhuma de fazer as coisas”, relata a contabilista Sonia Folador. Hoje com 56 anos, tinha 45 quando começou a sentir fadiga, problemas de memória e dor generalizada, mais concentrada no lado direito do quadril.

Como ocorreu com Sonia, a doença costuma surgir em mulheres entre 30 e 55 anos, embora haja casos de pessoas mais velhas, adolescentes e até crianças acometidas, compondo no Brasil um contingente de aproximadamente 5 milhões de pessoas (cerca de 2% a 3% da população, percentual próximo ao que se estima no mundo).

FARDO FEMININO

Existem dez vezes mais mulheres atingidas que homens. Segundo o National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, entre 80% e 90% das pessoas com fibromialgia são mulheres. O machismo enraizado em nossa cultura mostrou-se muito eficiente para transformar um fato científico em uma característica inerente ao gênero. Se as pacientes são mulheres, provavelmente a dor é psicológica, frescura, drama, sintoma de TPM (Tensão Pré-Menstrual) etc. E assim, gerações de mulheres passaram a vida resignadas, com dor e outros sintomas. “No começo não é fácil, a gente não sabe o que é. Antes tudo era reumatismo, mas a dor não passa e aí você vai vivendo. Depois que a gente descobre de fato, o tratamento progride”, afirma Sonia.

A ligação entre fibromialgia e o sexo feminino pode estar na serotonina, neurotransmissor que influencia o sono, a produção de hormônios, o ritmo cardíaco e outras funções fisiológicas importantes. As mulheres produzem menos serotonina, e por isso são mais propensas a problemas como depressão, enxaqueca e transtornos de humor, principalmente no período de TPM. Como o neurotransmissor também participa do processamento da dor, talvez esse seja a explicação para o número muito maior de pacientes mulheres.

Além da forte relação com o sexo feminino, a doença tem laços estreitos com a depressão. Cerca de 50% dos fibromiálgicos apresentam também esse transtorno grave, com um quadro agravando o outro: a dor e o descrédito provocam reclusão, piorando a depressão, que por sua vez intensifica a dor – de forma real, e não psicológica.

TRATAMENTO

Como a dor da fibromialgia não tem uma origem definida, analgésicos e anti-inflamatórios não ajudam. Os medicamentos que surtem algum efeito são os da classe dos antidepressivos e neuromoduladores. Porém, alguns pacientes podem encarar a prescrição com desconfiança, devido à imagem negativa que as doenças psiquiátricas têm em nossa sociedade. Aqueles que tiveram de encarar incredulidade até chegar ao diagnóstico podem até expressar revolta, interpretando que a sombra da “dor psicológica” está voltando e que estão sendo tratados de algum transtorno psiquiátrico. No caso da fibromialgia, entretanto, tais remédios são usados simplesmente para aumentar a quantidade de neurotransmissores que diminuem a dor.

Comparativo entre a concentração do neuropeptídeo “Substância P” (do inglês “pain”, “dor”) em cérebros de pacientes com e sem a doença, mostrando quantidade mais elevada em fibromiálgicos.

Atualmente, a palavra-chave do tratamento para fibromialgia é atividade física. Mesmo quando o médico decide incluir alguma medicação, ela serve para permitir a prática de exercícios. É comum, por exemplo, pacientes dormirem mal. Alguns até dormem horas suficientes para repor as energias, mas ainda assim acordam cansados (o chamado “sono não reparador”).

Em um caso desses, receitar um medicamento para facilitar o sono obviamente melhora a qualidade de vida, mas tem como objetivo final dar mais disposição para uma atividade física no dia seguinte. “O paciente tem dificuldade pra entender por que tem tanta dor e não aparece em nenhum exame, então temos que dar condições para ele ser ativo no tratamento”, explica o dr. Eduardo.

“Eu acordo e tomo um cafezinho sem vontade de fazer exercício, mas mesmo assim troco de roupa e vou pra academia todo dia. Faço pilates, alongamento e natação. Percebo claramente a diferença quando não faço. Se não vou, parece que fico toda travada, sem querer fazer nada”, relata Sonia.

A fibromialgia não é considerada uma doença curável. Há casos em que os sintomas diminuem consideravelmente, chegando a quase desaparecer, mas há outros em que será necessário fazer controle por toda a vida. Entender esse fato é fundamental para levar o tratamento da melhor forma possível. Assim como a retroalimentação que ocorre fibromialgia e depressão, os sintomas da doença trazem uma série de problemas que se acumulam e se reforçam. A dor altera o humor, que afeta o rendimento profissional e as relações sociais, o que aumenta o estresse, que é um dos gatilhos da dor e assim estende-se ao infinito.

Pacientes não precisam se preocupar com danos graves, como deformações ou paralisação de membros. Além disso, precisam ter informação sobre a doença e não se abalarem caso ainda encontrem profissionais e pessoas que os desacreditem. Mantido o tratamento, a perspectiva é que as dores regridam ao custo de uma rotina que é recomendada para a saúde de qualquer ser humano: atividade física regular.

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br

O desafio de ser um cuidador e ter uma carreira

Matthew A. Andersson é professor de sociologia na Universidade de Baylor, que fica no Texas (EUA), e um estudioso da desigualdade na saúde. Sua mais recente pesquisa dedica-se a esmiuçar os desafios que envolvem a vida dos cuidadores familiares que tentam conciliar sua carreira profissional com os cuidados com um ente querido. E isso não é nada fácil.

Muitos se identificarão com algumas das dificuldades: reuniões que têm que ser desmarcadas porque sua mãe ou seu pai não se sente bem; horas fora do escritório para acompanhar alguém numa consulta médica; o sentimento de exaustão pela jornada tripla que soma compromissos profissionais, demandas familiares e cuidados com o idoso. Embora seja cada vez mais comum, esse tipo de situação é ignorado pelas empresas. Pior: a falta de apoio e empatia pode levar o cuidador a perder o emprego ou decidir abandoná-lo por não conseguir dar conta de tudo.

O professor Andersson analisa que esta é uma das consequências do envelhecimento da população: “esses cuidadores geralmente estão na meia-idade. Muitos têm filhos que ainda são dependentes e sua renda é importante para manter o padrão de vida da família. O que é mais preocupante é a constatação da falta de apoio no ambiente de trabalho, o que torna a ocupação mais dura”.

De acordo com a pesquisa, três quartos desses cuidadores informais – chamados assim porque não são pagos – avaliaram que essa responsabilidade interferia pelo menos de forma moderada em seu trabalho. Mais de 40% dedicavam no mínimo dez horas aos cuidados com o idoso e, para mais da metade, as interrupções poderiam ser consideradas severas, como ter que pedir uma licença. Os mais afetados eram os que zelavam por pessoas com limitações cognitivas.

O grupo pesquisado era composto por 642 participantes que cuidavam de indivíduos acima dos 65 anos e, em 60% dos casos, todos moravam juntos. Cerca de 70% dos idosos sofriam de doenças crônicas e 80% apresentavam limitações físicas para andar, comer ou fazer a própria higiene. O trabalho foi publicado no “Journal of Aging and Health”. O professor concluiu afirmando que a conscientização do empregador é fundamental para reter essa mão de obra, já que, nos Estados Unidos, um em cada quatro adultos empregados toma conta de um idoso da família. “As empresas têm que se envolver e oferecer suporte, porque os cuidadores muitas vezes não pedem ajuda. Estudos anteriores já mostraram que cuidadores de idosos sofrem com estresse, problemas financeiros e de saúde”, finalizou.

Fonte: https://g1.globo.com